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Coordenadora do Açores DMO faz balanço dos primeiros dois anos de certificação

Carolina Mendonça, Coordenadora da Estrutura de Sustentabilidade do Destino Turístico – Açores DMO faz balanço dos primeiros dois anos de certificação dos Açores como destino turístico sustentável e afirma que a Região trabalha para atingir o Nível II da Certificação de Prata, podendo alcançar a Certificação de Ouro em 2024.

AO. Dois anos depois dos Açores terem alcançado a certificação Prata da EarthCheck como destino turístico sustentável, que efeitos práticos esta certificação já está a ter, quer em termos económicos e empresariais, quer em termos ambientais?

CM. A ideia assente no processo de certificação não é a de alcançarmos a perfeição, mas sim demonstrar que o destino está empenhado em desenvolver melhorias contínuas em prol do desenvolvimento sustentável económico, social, cultural e ambiental. Os seus efeitos são visíveis. Desde logo, aumentou a reputação do destino destacando a imagem dos Açores a nível internacional, como primeiro e único arquipélago a alcançar certificação de sustentabilidade de acordo com os rigorosos critérios, internacionalmente aceites, do Conselho Global do Turismo Sustentável.

Os Açores afirmam-se cada vez mais como um destino líder de referência, sendo que a certificação reforçou este posicionamento estratégico, conferindo maior notoriedade, e diferenciação competitiva à Região, respondendo às exigências da procura turística internacional por destinos não massificados, de natureza e por experiências autênticas, com um contacto imersivo, mas de respeito pelas comunidades locais. É evidente que isto traz benefícios à Região como um todo, onde o governo, as empresas, a comunidade local e os turistas saem beneficiados.

Para que os efeitos sejam visíveis a curto, médio e longo prazo, o processo requer um envolvimento dos vários agentes, e este, foi um impacto positivo quase imediato do mesmo, pela dedicação, colaboração e envolvimento dos vários parceiros locais, em prol de um objetivo comum. O Plano de Ação de Sustentabilidade do Destino é fruto deste trabalho colaborativo, na definição de um conjunto de compromissos sustentáveis que as várias entidades se propuseram a trabalhar na definição de metas e objetivos, visando o desenvolvimento sustentável do destino, cuja maior parte das ações de 2019 já foram concretizadas. Assim, já assistimos a melhorias nos vários pilares da sustentabilidade. Os compromissos e os progressos de sustentabilidade podem ser consultados no nosso website: https://sustainable.azores.gov.pt

Acresce a Cartilha de Sustentabilidade dos Açores, que nasceu em 2017, com 41 entidades aderentes, e já engloba 160 entidades subscritoras, com mais de 500 compromissos assumidos, rumo ao desenvolvimento sustentável da Região relacionados com a gestão eficaz dos recursos, reutilização de materiais, a preferência pela compra de produtos locais/regionais, a implementação de uma política de compras éticas, o que tem vindo a promover a economia circular, a responsabilidade social e ética das empresas, e a proteção do património ambiental.

AO. Qual tem sido o papel da Estrutura de Sustentabilidade do Destino Turístico – Açores DMO (Destination Management Organization) na divulgação desta certificação e na sua aplicação?

CM. A Açores DMO, funciona sob alçada da Secretaria Regional dos Transportes, Turismo e Energia, e coordena os esforços de sustentabilidade do destino, utilizando o motor do Turismo como catalisador do desenvolvimento sustentável. É um enorme trabalho de equipa e de colaboração, onde todos fazem parte e trabalham em prol de um objetivo comum. No âmbito da Estrutura da Açores DMO, foram criados vários grupos de trabalho de sustentabilidade, e promovemos vários momentos de auscultação junto dos agentes locais nas noves ilhas. Temos promovido ainda várias ações de educação e sensibilização de temáticas sobre turismo sustentável junto da comunidade escolar. Utilizamos as redes sociais, como facebook e o instagram para promover o nosso trabalho e interagir com a comunidade local principalmente com o público mais jovem.

AO. Este ano, os Açores vão ser novamente alvo de uma auditoria para verificar o cumprimento dos critérios de sustentabilidade. Da experiência já recolhida desde 2019, quais são neste momento as vantagens e as ameaças para os Açores neste processo?

CM. Além dos vários galardões e prémios de reconhecimento internacional já conhecidos, os Açores possuem ainda um vasto portfólio de produtos que têm permitido suportar um desenvolvimento turístico sustentado e de elevada qualidade. Ao caráter diferenciador do destino, alia-se o fato de estarmos a passar pelo segundo ano do processo de certificação o que nos traz benefício das aprendizagens da primeira auditoria ao destino. Reunimos ainda um conjunto de evidências dos progressos e melhorias desde a primeira auditoria, pelo que nos sentimos mais bem preparados, com uma equipa reforçada da Açores DMO, para receber auditoria este ano com vista a alcançarmos o Nível II da certificação de Prata da EarthCheck. Preferimos referir-nos a desafios do que a ameaças, e nos Açores ainda temos imensos desafios a superar. A sustentabilidade é um processo contínuo, e devemos ter a humildade e a responsabilidade de trabalhar em melhorias contínuas nas várias áreas que fazem parte da sustentabilidade do destino.

AO. Os Açores têm condições de aspirar ao galardão de Ouro da EarthCheck? E quando poderão atingir o patamar máximo da certificação como destino sustentável?

CM. O normativo da EarthCheck define 5 patamares de sustentabilidade, e cada vez que subimos um degrau nesse patamar, o processo torna-se mais exigente, uma vez que todos os anos temos que demonstrar melhorias face ao ano anterior. De forma a alcançarmos a Certificação de Ouro, ainda temos que subir 3 degraus da atual Certificação de Prata. Neste momento estamos a trabalhar para obtenção do Nível II da Certificação de Prata, e estimamos que em 2024 estaremos prontos a alcançar a Certificação de Ouro.

Manter um destino sustentável, requer um compromisso de todos os residentes, as entidades públicas, o governo e as empresas, pois são estes os verdadeiros protagonistas da sustentabilidade do destino. O governo tem um papel essencial na definição e implementação de políticas que fomentem o equilíbrio e a prosperidade económica, o bem-estar social, a educação de qualidade, a saúde das empresas e a conservação e proteção do ambiente. As empresas podem assumir a sua responsabilidade social e ética para com o meio ambiente e pessoas, e trazer soluções inovadoras, alavancando enormes benefícios para o desenvolvimento sustentável, inclusive para a saúde e para o bem-estar da sociedade; e claro, os próprios residentes e turistas devem adotar hábitos e comportamentos responsáveis contribuindo assim para a sustentabilidade do destino. Através desta abordagem holística, onde todos tomam responsabilidade das suas ações em prol de um objetivo comum, acreditamos que não só conseguimos alcançar a Certificação de Ouro, mas acima de tudo, conseguiremos contribuir para uma Região mais sustentável onde os Açorianos e as Açorianas, bem como quem nos vista, são os maiores beneficiários deste processo.

AO. A Açores DMO tem a intenção de criar um galardão de sustentabilidade para as empresas turísticas, premiando as boas práticas e de tomar medidas de compensação carbónicas das viagens para os Açores. Como é que essas intenções vão ser concretizadas?

CM. Um upgrade ao existente Programa Miosótis Açores, alinhando-se com os padrões internacionalmente aceites do Conselho Global do Turismo Sustentável, fará com que consigamos criar um esquema de certificação para as empresas do Turismo, que seja reconhecido internacionalmente. Relativamente às medidas de compensação carbónica das viagens, iremos colaborar com a Secretaria Regional do Ambiente e das Alterações Climáticas, de forma a encontrarmos soluções para o efeito, muito possivelmente através de projetos como o LIFE IP Climaz que visa desenvolver um conjunto de ações, encarando os desafios da mitigação e da adaptação às alterações climáticas.

AO. A pandemia de Covid-19 e as grandes alterações que ocorreram no último ano no turismo vieram reforçar as mais-valias dos Açores enquanto destino turístico sustentável?

CM. De acordo com o mais recente relatório de sustentabilidade da Booking.com (site de reservas online com maior carteira de clientes) 83% dos viajantes globais consideram que viagens sustentáveis são fundamentais, e 61% dos inquiridos afirmam que a pandemia de Covi-19 os fez querer viajar de forma mais sustentável no futuro. Resultados indicam que os Açores estão muito bem posicionados face a esta tendência de procura turística a nível nacional e internacional. O fato dos Açores já serem detentores desta certificação desde dezembro de 2019, permitiu, num ano e meio particularmente difícil devido aos efeitos nefastos da pandemia à escala mundial, colocar a nossa Região no mapa dos destinos mais seguros e sustentáveis, o que facilitou a caminhada da ambicionada retoma da atividade turística este ano.

Fonte: Açoriano Ocidental

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